sábado, 29 de novembro de 2014

Sobre o termo ciência na magia

Uma palavra de esclarecimento: nesse texto, o termo magia é usado como um termo genérico para qualquer ação ou efeito que dependa da ação/intuição/energia de seres de outros planos de existência e/ou que essas ações ou efeitos sejam ativados pelo que é comumente chamado de “fé”. A principal característica da metodologia científica é a capacidade de, se reproduzindo todas as condições nas quais um experimento ocorre, se obter exatamente o mesmo resultado. Esse fato faz com que, no campo da magia e da religiosidade, seja impossível se obter uma comprovação científica. Talvez por isso, embora tenha sido chamada de Ciência Sagrada, a magia – em suas inúmeras estruturas – seja mais corretamente descrita pelo antigo termo “a Arte”. Pelo exposto no primeiro parágrafo, como ciência, a magia deveria ser passível de ser comprovada em condições controladas, o que implica em elementos mensuráveis. Como se pode deduzir, a simples menção da causa de uma ação mágica (seja ela inserida em uma religião ou não) já implica na existência de elementos que não podem ser objetivamente mensuráveis e, portanto, tornam as condições da ação impossíveis de serem duplicadas. Isso significa que as ações mágicas não podem ser consideradas científicas. Há quem afirme que o uso do temo ciência se relaciona com o significado original da palavra, a saber, “conhecimento”. Mas então, porque não usar o termo Conhecimento Sagrado? Me parece que, o que ocorre é uma tentativa de tornar, ou pelo menos aparentar, “aceitável” ou “respeitável” ou mesmo menos sujeita a contestações, as ações ou teorias mágicas. Se afirmado que tal fato ou teoria é cientificamente embasado, ou se induzida a essa crença, a maioria das pessoas atribui maior credibilidade ao fato ou teoria. Entretanto, mesmo isso é uma utopia... Os fatos científicos são incontestáveis apenas nas condições em que ocorrem. Mudando-se essas condições, toda teoria cientifica é contestada e deve ser, no mínimo, adaptada, como a história bem o ilustra. Particularmente, acredito que analisar as teorias e ações mágicas com lógica e o maior grau de metodologia científica possível seja altamente louvável e produtivo, mas tentar fornecer um caráter científico a essas ações e teorias é algo – no mínimo – incoerente.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

INTERMEDIÁRIOS E FALANGES

Assim como um computador, por exemplo, literalmente queimaria se ligado diretamente a um fio da rede elétrica do poste (uma vez que nesse a energia é da ordem de milhares de volts), a mente de um ser que habite o plano material não suportaria uma ligação direta com a energia, a consciência ou mesmo com os conhecimentos de uma deidade. De fato, a forma que uma deidade utiliza para se comunicar é incompreensível para um mortal, pois ocorre em níveis aos quais a mente do que estão habitando no plano mortal está bloqueada a perceber. Esse fato faz com que alguns seres desencarnados no plano material, mas ainda com ligações a ele, em determinada da sua evolução possam continuar essa evolução sem necessariamente reencarnar. Esses seres passam a agir como intermediários ou representante das deidades, recebendo energias e conhecimentos de planos superiores e tornando-os adequados para que produzam efeito, ou seja, compreensíveis no plano material. De forma análoga aos transformadores de voltagem dos postes, que permitem que a energia dos mesmos seja utilizada nas casas. Normalmente, o ser que irá agir como intermediário dos outros planos o faz sob a proteção de uma égide ou de uma deidade específica, assumindo alguns padrões de comportamento e recebendo determinados atributos e características, tudo é claro de acordo com a deidade ou poder a ser representado. Por exemplo, o anjo da guarda (que na versão católica é um ser com natureza distinta da dos humanos, nunca tendo encarnado), segundo a visão kardecista é um ser que já viveu várias encarnações, mas atingiu tal estágio de evolução que lhe permite assumir essa função. Algumas tradições pregam o mesmo inclusive para figuras “mitológicas”. Essas seriam funções e não seres. No romance “As Brumas de Avalon”, a autora usa essa idéia ao colocar Merlin não como uma pessoa específica, mas como um título dado a um druida. Algumas tradições do cristianismo primitivo pregavam que Jesus de Nazareth só em determinada idade se tornou o Cristo, ou seja, se tornou o representante de Yahweh (Javé) no plano material. Aliás, o próprio conceito de avatar tem parentesco com esse processo. Seja como for, várias tradições apóiam essa idéia, em diversos graus. Um ser se torna um intermediário pelos seguintes motivos: afinidade e/ou necessidade. O ser pode já ter uma consciência clara do processo de evolução, de modo que saiba que a realidade material não é a única forma de evoluir, mas ainda esteja ligado a esse plano, de modo que não possa ou não queira se desvincular totalmente dele. Por outro lado, pode ter uma afinidade com uma ou mais características de uma deidade, ou até com a própria deidade, de modo que, ao desencarnar, pode ocorrer de conseguir se “colocar a serviço” dessa deidade, tornando-se um intermediário através do qual a deidade agirá no plano material. Em contra partida a ação da deidade no plano material, sua existência como uma manifestação específica é alimentada. (Ver Como os Deuses...) Esse “se colocar a serviço” pode ocorrer por iniciativa do ser ou por convocação da deidade, comumente através de outro intermediário. Por outro lado, o ser pode não ter consciência do processo de evolução, mas estar envolvido a aspectos primais de sua psique – como ódio, instinto sexual, etc. – de modo intenso e desarmônico, de modo que é atraído a se tornar intermediário de deidades que personificam ou têm esses aspectos como dominantes em suas ações. Normalmente, nesses casos, os seres primeiro se tornam “prisioneiros” de suas obsessões, depois das deidades ligadas ao foco das obsessões e depois intermediários dessas deidades. Eventualmente, o serviço a essas deidades pode provocar uma tomada de consciência por parte do ser, de modo que ele utilize esse serviço para contribuir com sua evolução. Na tradição da umbanda, existe o conceito de “falange”, que é um bom exemplo do que foi exposto acima. Uma festa de Shangô, por exemplo, na qual ocorre a incorporação do orisha, não pode esperar que seja REALMENTE a essência primal do Trovão e da Justiça que esteja se manifestando. Como já foi dito, seriam energias por demais intensas, não só para a mente e a alma, mas também para o corpo do ser que o está incorporando. É mais provável que seja um dos intermediários – ainda que de planos nos limites da interação direta com o plano material – que incorpore, irradiando nesse plano uma energia cuja vibração seja mais próxima da deidade (no caso, o orisha), e absorvendo as emoções de devoção que reforçarão a forma-pensamento que mantém a individualidade da deidade. Dessa forma, os seres que – por quaisquer motivos que sejam – estão “a serviço” de um orisha passam a fazer parte de sua Falange, seja em que nível for. Parece lógico que os seres que ainda tenham uma afinidade grande com o plano material assumam uma de suas encarnações para se manifestar: preto-velho, caboclo, erê. Estas seriam as falanges mais próximas ao plano material. Depois seria a falange dos eshus (e pombogiras, claro), já um pouco mais afastado das encarnações. Fazer parte da falange dos orishas, propriamente ditos, implicaria que o ser já se desvinculou bastante – mas não totalmente – do plano material.

Incorporação

Incorporação Incorporação do latim incorporatione - Ato ou efeito de incorporar. Incorporar do latim incorporare - Dar forma corpórea a. Unir, reunir, juntar em um só corpo ou em um só todo. Entrar, começar a fazer parte, ingressar. Para a ciência espírita, é o ato ou efeito de ingressar o Espírito no campo vibratório do médium, em processo de acoplagem, objetivando sua manifestação. http://www.lema.not.br/indexxq.php Entende-se por incorporação a tomada de controle das funções motoras, de comunicação e cognitivas de um corpo por uma consciência extra e incorpórea. O indivíduo cujo corpo é utilizado é chamado de médium, aparelho e, em alguns casos, cavalo e a consciência incorpórea, de espírito ou entidade. Está implícita nessa definição a (necessidade de uma) crença na existência de consciências (individualizadas) existindo sem a necessidade de um corpo material (consciências incorpóreas). Como essas consciências mantêm uma identidade (ou pelo menos emulam uma), é de se concluir que mantenham uma individualidade e, portanto, possuam (coordenadas específicas de existência) algum tipo de veículo ou “receptáculo” para manter essa individualidade. Como esse receptáculo não é feito de matéria, faz-se necessário aceitar que existam outros planos de existência, nos quais existam “receptáculos” compostos por algo que não seja matéria composta por átomos. Varias filosofias e religiões pregam a existência de outros planos de existência e a quantidade desses planos varia conforme a filosofia ou religião consultada. O catolicismo, por exemplo, afirma que existem apenas dois planos: o material e o espiritual; a magia cabalista trabalha com quatro planos: material, astral, mental e divino. Existem outras correntes religiosas que afirma que são sete, ou nove ou sessenta e três planos de existência. De qualquer forma, a consciência que incorpora, tendo uma identidade – e, portanto uma individualidade – e não estando no plano material, deve “habitar” em um desses outros planos. Muitos afirmam que, durante a incorporação o “espírito” do aparelho deixa o corpo material (embora continue vinculado a ele) e outro “espírito” (a consciência incorpórea) passa a ocupar esse corpo. Por isso, afirmam que a incorporação só ocorre com a total inconsciência do aparelho. Entretanto, outros admitem que pode haver incorporação semi-consciente e totalmente consciente. Seja como for, é de comum acordo que o aparelho sofre influência de uma entidade. O mecanismo dessa influencia ou é de natureza energética ou ocorre em outro plano de existência. Se ocorre de forma energética, pode ser que o campo eletromagnético gerado no cérebro seja afetado por outro campo – gerado pela entidade. Dessa forma, os padrões mentais dessa consciência se manifestariam no cérebro – e, portanto, no corpo – do aparelho. Seria análogo a um aparelho de radio de um carro, sintonizado em uma determinada estação, tocando uma musica. Se esse carro passar próximo a uma torre de transmissão de outra estação, a transmissão dessa será mais forte e o radio passará a tocar outra musica, sem que o sintonizador tenha sido mudado. Hoje em dia podemos comparar também ao wi-fi ou Bluetooth. Através deles o usuário de um computador pode transmitir informação e até controlar outro computador. Se o mecanismo de influencia ocorre em outro plano, a “troca” de posições pode ser necessária. Supondo que esse mecanismo ocorra no chamado “plano astral”, é possível que o “corpo astral” (receptáculo da consciência constituído por uma substância natural desse plano) do aparelho tenha que se afastar do corpo físico para que o “corpo astral” da entidade possa se manifestar. Também pode ser que o mecanismo ocorra através dos chamados chakras, que seriam sete centros ou nexos de energia no campo energético de cada ser humano. O “corpo astral” da entidade se vincularia aos chakras do corpo energético do aparelho, de forma a estabelecer o vinculo e se manifestar. Os mecanismos descritos acima abrangem os três tipos de incorporação citados acima: totalmente inconsciente, semi-consciente e totalmente consciente. Na incorporação totalmente inconsciente, o aparelho perde completamente o controle das funções motora, cognitiva e de percepção. Toda ação e comunicação efetuada durante a incorporação é responsabilidade da entidade, sem qualquer participação ou influência do aparelho. A incorporação totalmente consciente ocorre exatamente o contrário. A influência da entidade é sentida, mas não imposta. As ações e comunicações são induzidas, mas necessitam da concordância e anuência do aparelho, cuja principal dificuldade é impedir que sua mente influencie a ação da entidade. Na incorporação consciente ocorre como que uma “fusão” entre as consciências do aparelho e a entidade. Ambos devem trabalhar em conjunto. A incorporação semi-consciente, como próprio nome diz, implica que o aparelho possui um controle ou percepção parcial do processo. Pode ocorrer da forma que o médium mantenha a consciência, mas não tenha o controle das funções motora, cognitiva e de percepção. As ações ainda são responsabilidade da entidade, embora o aparelho tenha ciência do que ocorre. Outra forma de incorporação semi-consciente é aquela na qual a consciência do aparelho é intermitente, ou seja, determinados momentos o aparelho se vê consciente e determinados momentos, inconsciente. Porém, segundo a parapsicologia durante um transe hipnótico “desliga-se” a mente consciente do indivíduo, mantendo apenas a parte inconsciente. Isso me foi demonstrado em um curso. Quando o transe é direcionado, o indivíduo fica passivo, porém – segundo o professor do curso – o transe que ocorre sem uma orientação, de forma espontânea (como por efeito de tambores e giro do corpo) pode fazer com que aspectos reprimidos e/ou ocultos da personalidade – como desejos de raiva, sexualidade, liberdade, etc. – se manifestem, de forma espontânea e caótica. Esses aspectos aliados a conceitos / imagens / arquétipos armazenados no inconsciente podem formar uma nova personalidade, ou mesmo emular a manifestação de uma entidade. Ainda mais, sob transe hipnótico o indivíduo fica extremamente suscetível a sugestões. Vi um amigo bem próximo comer cebola acreditando ser maçã. Isso ocorre por que o cérebro altera a interpretação dos estímulos recebidos (visual, auditivo, gustativo, etc.) de modo a confirmar a sugestão recebida (ver texto REALIDADE I). Considerando esses conceitos (e alguns outros), mas minha experiência pessoal sobre o assunto,creio que a entidade de onde quer que esteja (se é que o termo “onde” é aplicável) consegue criar uma ligação energética com o individuo que irá sofre a incorporação, através da qual o induz a um tipo de transe hipnótico. Quanto mais intenso for esse transe, mais inconsciente é o aparelho. Através dessa ligação, a entidade também envia o equivalente aos seus padrões neurais – padrões que determinam o conhecimento e comportamento de um ser ou, em última análise, sua identidade. Esses padrões interagem com o campo de energia mental do individuo, de modo que a fusão dos padrões da entidade e do aparelho resultam na manifestação que presencia. Isso implica que o material contido no inconsciente do aparelho pode influenciar as características da manifestação. Assim, uma entidade pode se manifestar de forma agitada, ou usando palavras vulgares, ou ainda que com postura piedosa, em parte por que o aparelho acredita – mesmo que de forma inconsciente – que seja o comportamento “correto” para essas entidades. Essas crenças inconscientes e conscientes do aparelho é associada a egrégora e as intenções da entidade, de modo a resultar na manifestação que presenciamos durante uma incorporação.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Realidade I

Quem assistiu ao filme “Matrix” deve se lembrar da cena onde Morpheus pergunta ao Neo “o que é real”.
Se ainda não viram, recomendo que vejam, pelo menos essa cena e as subsequeintes, onde Morpheus discorre sobre a Realidade e, por fim, mostra a Neo que os seres humanos estão presos e são bombardeados por impulsos de modo a vivenciarem uma “realidade” apenas em sua mente.
Claro que é ficção, afinal (aparentemente) todos sabem onde estão, ou o que é real o que não é.
Fácil assim? Felizmente não!
Consideramos como real é tudo que pode ser percebido pelos sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar. Esticando um pouco o conceito, podemos incluir os sentimentos entre as coisas “reais”, uma vez que todos os experimentam.
Uma análise básica no mecanismo de percepção humana faz com que percebamos o quão ineficiente ele é.
Quando as células da retina são sensibilizadas por uma onda eletromagnética cuja freqüência é de 550 000 000 000 000 Hz, elas produzem um impulso elétrico que causará no cérebro uma sensação que interpretamos como a cor verde. Mas as retinas só são capazes de serem sensibilizadas por onda eletromagnética cuja freqüência variem de 400 000 000 000 000 a 750 000 000 000 000 Hz. Mas, no conjunto total de ondas eletromagnéticas a freqüência varia da ordem de 100 Hz a 10 000 000 000 000 000 000 000 Hz. Ou seja, “enxergamos” uma fração muito, muito pequena do total de ondas eletromagnéticas.
Quando os tímpanos são sensibilizados por uma onda mecânica de 392 Hz, eles produzem um impulso elétrico que causará no cérebro uma sensação que interpretamos como a nota sol. Entretanto, os tímpanos são sensibilizados por ondas mecânicas cuja freqüência variem entre 20 a 20 000 Hz. Abaixo de 20 Hz, temos o infrasom e, acoima de 20 000 Hz, o ultrasom. São freqüências de ondas mecânicas que existem, mas não nos causam reação auditiva.
Quando as moléculas de Nonilato de etila que se desprenderam na forma gasosa entram pelas fossas nasais, interagem com as substâncias quimiorreceptoras olfativas presentes nas células neuroepiteliais distribuídas pela mucosa pituitária no nariz, estimulando-as. Aí ocorre a geração dos impulsos elétricos que são enviados ao cérebro, que interpretam como o odor de uma rosa.
De modo semelhante, o paladar funciona baseado na ativação de quimiorreceptores localizados nas papilas gustativas ou linguais. Com o estímulo de uma determianda substância, ocorre a geração dos impulsos elétricos que são enviados ao cérebro, que interpretam como um sabor.
A pele recebe estímulo de pressão e calor, e os transformam em impulsos elétricos que produzem a sensação de calor, frio, áspero, macio, etc., tudo no cérebro.
Então, tudo que vemos, ouvimos, cheiramos, degustamos e tocamos se transforma em impulsos elétricos específicos que são codificados no cérebro de modo a formar uma série de sensações que formam um “quadro” que chamamos de realidade. Na verdade,
Entretanto se os sentidos fossem mais (ou menos) aguçados, perceberíamos uma fração diferente da realidade. Um bom exemplo são os daltônicos que, literalmente, percebem a realidade de forma diferente. Outro são os cães, capazes que captar freqüências maiores das ondas mecânicas que os seres humanos, logo “ouvem sons” que para nós “não existem”.
Por outro lado, mesmo com todos os sentidos perfeitos, uma alteração na “decodificação” dos impulsos elétricos faz com que a percepção da realidade seja alterada. E isso pode ser feito através a alteração do estado de consciência do individuo. Uma pessoa pode segurar uma cebola e todos os sentidos captarem os estímulos mandarem os impulsos elétricos corretos ao cérebro para que este identifique a cebola. Mas, se for feita uma sugestão através da hipnose (que é uma técnica de alteração do estado de consciência), de que ela está segurando uma maçã, embora todos os impulsos elétricos que chegarem ao cérebro sejam de “cebola”, devido a sugestão, a interpretação será de “maçã”. Formato, cor, aroma, sabor, textura, temperatura... todas as características.
Tendo feito curso e treinamento com hipnose, e trabalhado nisso com um grupo próprio com pessoas que eu já convivia, posso assegurar que isso ocorre.
Então, se percebemos apenas uma fração dos estímulos a nossa volta, o que percebemos é apenas uma fração da realidade.
Isso, considerando apenas os cinco sentidos humanos.
Lembro de uma história hindu, se não me falha a memória, que ilustra a situação em que vivemos.
Cinco cegos estavam a caminho e encontraram um elefante.
O primeiro apalpou a pata e afirmou: “É uma palmeira!”.
O segundo apalpou o corpo e disse: “É como uma grande pedra!”.
O terceiro pegou a tromba e sentenciou: “É como uma cobra, porém sem os dentes”.
O quarto, mais alto, pegou na orelha e definiu: “É como uma grande folha rugosa e cheia de pelos”.
E o quinto, agarrado ao rabo, foi enfático: “Ora é como uma corda com um pequeno espanador na ponta”.
A história continua, mas o ponto é que, se estamos percebendo apenas fragmentos da realidade, como ela realmente é?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

TRADIÇÕES E CAMINHOS

Outro dia uma amiga me comentou que lhe disseram que era hora dela iniciar sua própria Tradição para transmitir as experiências e as práticas que ela havia vivenciado.
Fiquei curioso com o termo “Tradição”, uma vez que “tradicional” é algo que se mantém ao longo do tempo, e descobri que a palavra “Tradição” significa “conjunto de práticas transmitidas, em geral, oralmente à geração seguinte”. Entretanto, parece que entre os pagãos, “Tradição” é uma das divisões do Paganismo. Assim, Bruxaria, Wicca, Xamanismo, Druidismo, entre outras, seriam Tradições do Paganismo. Até aí, tudo bem.
Creio que cada tradição se iniciou com uma pessoa que teve vivência profunda em uma ou várias tradições e, estudando-as, vislumbrou outras possibilidades com a variação de um ou mais paradigmas da tradição vigente e se empenhou em desenvolver essas possibilidades, sistematizou todo o seu aprendizado e depois repassou a um grupo, que refinou todo esse material e criou uma estrutura em cima disso tudo.
Também existe o caso da imanência. Uma pessoa tem um insight e desenvolve idéias e vivências em função dessa(s) percepção(ões) recebida(s). Em seguida, sistematiza e estrutura esse material.
Em qualquer caso, quando essa estrutura se mantiver ao longo das gerações, passa a ser uma tradição.
Mas, se uma Tradição só passa a existir quando se mantém por, pelo menos, uma geração, como chamar uma “Tradição” em seu início?
Como a vivência de uma pessoa é descrita popularmente como a trajetória dessa pessoa, creio que o conjunto de paradigmas e práticas que uma pessoa desenvolve deva ser chamado de Caminho (pessoal). A sistematização do Caminho pode ser considerada como a confecção de um mapa, uma série de indicações e diretrizes para que outro indivíduo chegue a um destino.
(Uma observação pessoal: creio que o único destino válido em uma prática religiosa seja a conscientização da ligação indivíduo-divindade já existente, que, espera-se, seja o resultado de uma jornada em direção a si mesmo).
O compartilhamento do Caminho sistematizado com um grupo ou a busca grupal pela sistematização da combinação de Caminhos individuais pode ser definido como um Círculo de estudos, ou simplesmente Círculo.
Finalmente, se a idéia sistematizada do Caminho e a estrutura do Círculo se mantiverem por duas gerações, se tornam uma Tradição.
Dessa forma, é correto afirmar que o indivíduo cria o Caminho (ou talvez o Caminho se manifeste através do indivíduo), mas é o tempo que forja a Tradição.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

INICIAÇÕES

Existem dois tipos de iniciação, no sentido místico.
A iniciação ritual, que existe em praticamente todas as formas de culto e crença, através da qual o individuo é formalmente aceito na comunidade da filosofia na qual foi iniciado. É um rito de passagem e, como tal, tem a função de marcar o momento em que esse indivíduo sofre uma “transformação”, assumindo oficial e/ou publicamente novos conceitos, crenças e compromissos com a(s) divindade(s) correspondente(s).
Segundo Dolores Ashcroft-Nowick, em seu Manual Prático de Magia Ritual, o ritual “é um meio pelo qual o homem pode contatar energias e forças que estariam fora de sua compreensão”. Porém, os rituais também são uma sequência de ações cujo significado é tornar público um compromisso interno. É uma forma de “tornar visível” um acontecimento interior e, portanto, invisível.
Essa forma de iniciação ritual, que é uma consequência de trabalho e estudo (ou pelo menos deveria ser) e que representa o compromisso formal do individuo com as divindades, é, entre os ocultistas, chamada de iniciação menor.
O outro tipo de iniciação não é ritual e não pode ser confirmada ou refutada por ninguém, uma vez que é totalmente subjetiva. É a experiência espiritual, através da qual o individuo (ou sua essência) estabelece contato com a essência do Universo, ou seja, a Divindade, tornando-se consciente da ligação existente entre ambos. Essa consciência vai além do conceito intelectual, preenchendo todo o seu ser, em todas as suas nuances. É o conceito da imanência. É a chamada iniciação maior.
Nem sempre as duas iniciações ocorrem em um indivíduo e, quando isso acontece, quase nunca as duas acontecem simultaneamente. Às vezes, ocorre o ritual primeiro e depois a imanência; às vezes, o contrário. Pode um indivíduo ser iniciado ritualisticamente em várias tradições e não passar pela imanência, ou passar pela imanência e nunca ser iniciado em nenhuma tradição.
Particularmente, concordo que a imanência predomine sobre o ritual. Na minha opinião, somente quando ocorre a imanência é que a iniciação realmente ocorreu. Não que a iniciação ritual seja falsa, mas ela é a afirmação de uma intenção de transformação. Após a imanência, a transformação é inevitável.
Ao atingir a imanência, o indivíduo reconhece a unidade por trás da multiplicidade das tradições, religiões e credos. Conscientiza-se do Uni que existe no Verso.(Uni - um; verso - oposto). Consegue reconhecer a ligação e o valor dos rituais, seja um Sabath, um culto protestante, uma missa católica ou uma gira de candomblé. Reconhecendo as diversas manifestações da Divindade, passa a respeitar a todas essas manifestações.
Essa iniciação interior é o objetivo que deve ser buscado, sendo as iniciações rituais mecanismos para essa busca, ou um reconhecimento de sua ocorrência

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Como Surgem Os Deuses No Plano Material



Quem Governa Acima e nas Sombras, Primo Motore, Brahma, Olorum, Ain Soph Aur são algumas das denominações de algo inatingível pela percepção e compreensão humanas sendo, portanto, incognoscível.
Entretanto, também é a Fonte da Qual Jorram Todas as Coisas, sendo como um poço que contém todas as animas e as flutuações quânticas. É daí que tudo se origina, desde os planos e seres mais energéticos e místicos até esse plano material.
As Divindades que se manifestam nesse plano material derivam, ao menos em parte, da imaginação e das percepções humanas. De certo modo, é como se “o homem criasse deus a sua imagem e semelhança” e não o contrário.
As necessidades de um povo concentravam e focalizavam os sentimentos, ansiedades e temores desse povo, uma verdadeira “carga de intenções”, que era projetada “aos céus” ou “ás alturas”, o que significa que era dirigida a planos energéticos mais elevados, em busca de auxílio, imaginando que poderosos seres (ou ás vezes versões antropomorfizadas de aspectos da natureza) poderiam ouvi-los e atendê-los. Essa imaginação também criava a forma e as características com a qual a Divindade deveria se manifestar. A intensidade dos sentimentos criava um dos pólos de um fluxo de energia entre os planos. Esse fluxo de energia atingiria o “Poço dos Anima” e despertar um ser / entidade / identidade que passa a assumir as características formatadas pela imaginação e as funções transmitidas pela “carga de intenções”.
O fluxo de energia também pode ser interceptado por um ser / entidade / identidade já “emergido” do “Poço dos Anima”, que assume as características e as funções transmitidas pela transmitidas pela “carga de intenções”.
De qualquer forma, esse ser é a essência anímica da divindade.
A combinação necessidade / adoração, imaginação e essência anímica, formam a Divindade que se manifesta nos planos astrais e atua no plano material.